A vida como um bordado

Quando criança, já quase adolescente, aprendi a bordar. Era o ponto de cruz. Não lembro exatamente como aprendi, só sei que nessa fase vivi com um emaranhado de fios. Acho que levava mais tempo arrumando tudo do que bordando de fato. Nessa época os dias passavam devagar. Não segui por muito tempo como bordadeira, mas consegui terminar alguns trabalhos. Gostava de mostrar para as pessoas. Era bom ouvir do outro que meu bordado estava bonito, mas me orgulhava mesmo quando alguém, um pouco mais experiente na área virava o bordado e constatava que meu avesso estava perfeito.

Nem sei quantos anos se passaram desde então, mas com certeza hoje algo mudou. Acho que, pelo menos assim espero, parei de querer ter um avesso perfeito. Claro que dá muito mais trabalho aceitar nossos avessos como são. Se autorizar a isso leva tempo, mas permite que possamos fazer cada ponto com uma leveza antes não experimentada.

Se eu voltarei a bordar? Quem sabe um dia. Deixo isso na minha lista de possíveis atividades a serem feitas quando os dias voltarem a passar bem devagarinho. E imagino que possa ser em breve. Afinal, o que será que venho fazendo com meu tempo?

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Fui ali… volto já!!!

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Esses dias estive de férias, 24 dias de carro, quase 9000 km percorridos, 3 países diferentes. Vivi esses dias como uma criança que vê as coisas pela primeira vez, me encantei com cada nova paisagem, tentei aprender um pouquinho de cada lugar, procurei aproveitar cada momento como se fosse o último.

Me vesti sem preocupações, andei pelas ruas sem horário para chegar, foram dias muito felizes. Mas será que preciso estar tão longe de casa para se permitir passar por tudo isso? Voltamos para casa e tive longas semanas de adaptação pela frente. A impressão era de que minha vida não me cabia mais.

Claro que tempo depois retomei o gosto pela minha rotina de sempre, gostei de estar em minha casa novamente, pude aproveitar das facilidades que a vida em uma cidade pequena nos proporciona, enfim, as coisas andam muito bem por aqui.

Acabei me dando conta que posso sentir aquele gostinho de liberdade que tanto amamos quando estamos de férias, não é uma questão de onde estamos. É muito mais uma questão de como vemos a vida. Uma coisa é certa, a vida não nos permite ensaios. Ou aproveita e vive ou vai ficar com a sensação de arrependimento. Trouxe isso na mala de volta para casa, por que não acordei mais cedo para aproveitar aquele lugar maravilhoso?

Pois é, resolvi aproveitar e viver, afinal, não dá para ficar esperando as próximas férias chegarem para viver com a intensidade que a vida merece!